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  • Diego Oliveira | Youpper

Uma raça humana

Originalmente publicado na Meio e Mensagem


72% dos consumidores negros consideram que as pessoas que aparecem nas propagandas são muito diferentes deles




Quem me conhece sabe que escolhi ser baiano. Quem não me conhece pode ter certeza de que é a mais pura verdade!


A Bahia tem inúmeros atributos maravilhosos, o principal deles são as pessoas. E como sou uma pessoa fascinada por gente e por dados, não posso deixar de mencionar que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), a Bahia tem a segunda maior população de pretos do País em números absolutos, logo abaixo de São Paulo (3.453.975), estado brasileiro mais populoso.



A Bahia era ainda o único estado do País em que as pessoas pretas eram mais representativas na população em geral do que as autodeclaradas brancas (18,1% da população baiana). Somando-se pretos e pardos (negros), chegava-se, em 2018, a 81,1% da população da Bahia (11,994 milhões de pessoas), segundo maior percentual entre os estados, abaixo e bem próximo do Amapá, onde 81,3% da população se declaravam pardos ou pretos, com forte predominância dos pardos (74,3%).

Então, me pergunto: por que só em novembro celebramos o Dia da Consciência Negra? Não deveríamos adotar uma “negra consciência”?

No Brasil, os pretos e pardos representam 56% da população brasileira. Apesar disso, os negros são sub-representados na comunicação – mais de 90% das campanhas publicitárias têm protagonistas brancos, de acordo com pesquisa inédita do Instituto Feira Preta em parceria com o Instituto Locomotiva. Intrigante isso, não é mesmo? Essa mesma pesquisa, que traz no título A Voz e a Vez – Diversidade no Mercado de Consumo e Empreendedorismo revelou que se os consumidores negros formassem um país, seria o 11º país do mundo em população, com 114,8 milhões de pessoas, e 17º país em consumo. Traz ainda que os negros formam uma população consumidora que movimenta, em renda própria, R$ 1,7 trilhão por ano. Apesar disso, 72% dos consumidores negros consideram que as pessoas que aparecem nas propagandas são muito diferentes deles e 82% gostariam de ser mais ouvidos pelas empresas.


São números muito interessantes que nos fazem refletir sobre diversidade, mercado de trabalho e comportamento humano.


Entendo que somos todos parte da raça humana, que contempla uma série de etnias que formam cada um dos estados que gosto de chamar de Brasis. Cada um de nossos Brasis é uma mistura, que merece ser compreendida – seja no aspecto pessoal, seja no aspecto profissional.


Fala-se tanto em inclusão, diversidade, pluralidade… na verdade precisamos de ação. Se agirmos como seres humanos, acredito que seremos melhores filhos, irmãos, amigos, parceiros, profissionais. E é com essa expansão de consciência que reverencio a “consciência negra” e celebro todas as cores da vida.

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