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Um retorno protocolar

Originalmente publicado na Meio e Mensagem


“Mãe, meu coração está acelerado. Estou nervoso”. Esse é o relato do filho de dez anos de uma amiga quando estava a caminho da escola, em seu primeiro dia de aula presencial desde março de 2020. Um dos principais acontecimentos deste início de ano, além da aprovação da vacina para imunização contra a Covid-19, foi o retorno das atividades presenciais nas instituições de ensino. Uma mistura de alegria e aflição, a volta das atividades (antes corriqueiras) é questão de debate e de polêmica. Marcada pelos protocolos, não se trata apenas de uma retomada de atividades. É uma adaptação a novos hábitos, para crianças desde pequenas até pessoas adultas.




Mudança de comportamento sempre foi um desafio humano. Há inúmeros estudos que preconizam que é preciso tempo para transformar uma atitude. Se estamos falando do ambiente escolar, parece que tudo fica mais delicado. Pois não se trata de um ambiente “dito profissional”, pois envolve afeto e sentimentos. É uma reinvenção total! Vejo os quanto as campanhas publicitárias têm incorporado novos elementos e gatilhos para a mensagem ser coerente com os dias que estamos vivendo.


As escolas se prepararam para receber suas alunas e seus alunos, não da mesma maneira como retornavam das férias, mas com uma experiência vivida que pode ter deixado diversos impactos negativos, não apenas na aprendizagem, mas no desenvolvimento socioemocional causado pelo isolamento social e distanciamento escolar.



O primeiro ponto a ser pensado é que, neste momento, os sentimentos deverão ser acolhidos, e a maneira como isso será feito será primordial para tudo o que virá depois. Diversos são os motivos para o acolhimento, nossas crianças passaram por experiências de luto próximas a elas, de familiares, amigos e pessoas conhecidas, e as perdas vividas precisam ser tratadas de maneira especial.



Além disso, as mudanças de rotina que ocorreram, em suas vidas e na vida dos pais, irão novamente se transformar. Se foi difícil de repente estarem todos em casa, mudar a rotina novamente, e se ausentar da segurança que o lar representa, pode também gerar alguns impactos. Principalmente aos menores, todo um período de readaptação à escola e de afastamento dos pais terá que ser feito novamente. Há ainda o medo da doença, da contaminação. O medo dos adultos influencia diretamente as crianças, o que impulsiona os diferentes níveis de ansiedade, pois as crianças trarão de casa toda uma bagagem do que vivenciaram e vivenciam desde o início da pandemia.



Como professor, penso na importância da parceria entre a escola e os responsáveis pelas crianças. Neste momento, educadoras, educadores, mães, pais e todos envolvidos na educação devem ser aliados. Essa aproximação é fundamental para que tudo dê certo, tanto em relação aos cuidados necessários para que a pandemia se mantenha controlada, como para que as questões emocionais das crianças possam ser trabalhadas.

Lembrando que a pandemia acentuou a diferença entre aqueles que tinham mais dificuldades de aprender; exigiu um novo educador, que precisou se reinventar, teve que se adaptar à novas tecnologias, novas metodologias, transformando-se. Agora, é preciso estabelecer metas de aprendizagem, para um retorno não tão protocolar.

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